Caiado acusa Lula de conivência com crime organizado

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), afirmou nesta quarta-feira (9) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) age como “representante de um narcoestado”. A declaração foi feita após a divulgação de negociações entre o governo federal e uma associação de moradores da Favela do Moinho, em São Paulo, cuja liderança é apontada como ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Caiado acusa Lula de manter interlocução com integrantes do crime organizado. Segundo ele, o encontro foi realizado com a Associação da Comunidade do Moinho, presidida por uma pessoa com vínculos diretos com a facção. O governador afirma que o local já foi utilizado para armazenamento de drogas e considera a atitude do presidente como uma forma de conivência com o grupo criminoso. “Não existe Estado Democrático de Direito onde o crime manda na vida das pessoas”, disse.

A negociação entre governo federal e associação resultou no anúncio de remoção voluntária das famílias que vivem na área. Conforme o acordo, as construções seriam demolidas apenas após a desocupação. Cada família receberia até R$ 250 mil em auxílio, financiado pelos governos estadual e federal. A medida motivou a visita de Lula à comunidade no fim de junho.

O episódio reacende o embate entre Caiado e Lula sobre a condução da segurança pública. O governador é crítico da proposta de emenda à Constituição enviada pelo governo ao Congresso, que amplia o poder da União sobre políticas de segurança e, segundo ele, retira a autonomia dos Estados.

A Presidência rebateu as críticas e afirmou que visitas a lideranças comunitárias fazem parte da escuta social promovida pelo governo. Disse ainda que a interlocução ocorreu com uma liderança reconhecida e que todas as medidas de segurança foram observadas.

Caiado já acusou o presidente de beneficiar lobbies organizados em prejuízo de trabalhadores e aposentados. Lula defende que o governo busca promover inclusão social e regularização de áreas ocupadas por meio do diálogo com as comunidades.

O caso expõe o conflito entre duas visões de Estado: uma baseada no rigor policial e na contenção de facções, outra voltada para a interlocução com territórios vulneráveis como forma de implementar políticas públicas. O tema deve ganhar espaço no debate político à medida que se aproximam as eleições de 2026.

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